Comecei no marco de 1200 km perto do Parque dos Patins com a trilha sonora de Walk on de U2. Toda corrida me deixa leve, tão feliz, que não tenho nem palavras para descrever direito o meu sentimento naquele momento. Sabe aquela propaganda antiga da Nike que uma mulher ia correndo e iam caindo as coisas dela, conforme ela ia correndo? Pois é, me sinto mais ou menos assim... Só sei que quando chegou em frente mais ou menos da Igreja Nossa Senhora Margarida Maria (acho que é esse o nome) vi um cisne sozinho (Detalhe: não foi um cisne que eu vi. Foi uma garça. Puts, não sei a diferença...rsss). Então, pensei... Parece comigo nesse momento. Feliz e quietinho curtindo o "visu" da Lagoa.

Continuei correndo e eis que de repente, mais que de repente, vejo uma mulher abraçando uma árvore. Que coisa estranha, pensei. De repente ela largou a árvore, mandou beijos, tchau e continuou sua caminhada. Juro que num primeiro momento dei uma risadinha e a achei meio maluca. Olhei para o lado para ver se mais alguém tinha visto aquela cena. Fiquei com um pouco de vergonha dela. E também não era para menos, mandar beijos para um árvore? Mas a mulher não estava nem aí. A mulher era magrinha, com uma calça saruel preta e com um estilo - sou hippie. E fiquei pensando sobre aquele momento... Falei pra mim mesma. Po, deve ser a religião dela, ou deve ter alguém enterrado ali naquela árvore e a mulher estava falando com a pessoa. Bom, sei lá. Ri porque era engraçado alguém mandar beijos para uma árvore, mas ao mesmo tempo achei legal, porque a total falta de preocupação (desapego) com as pessoas me alertou que ela estava feliz, não importa a maneira pela qual. Daí, parei na próxima árvore e bati uma foto. Essa árvore é super-antiga! Também gosto de árvores. Gosto dessa árvore milenar com vários galhos baixos.
Continuando a minha corridinha, agora com os batimentos cardíacos a 151 por minuto fui ouvindo as músicas e curtindo o visual. Agora passou por mim um pai com um bebê no carrinho. Pensei: será que o Mauro vai fazer isso na vida? Colocar essa mochilinha azul pequenina nas costas (porque aquilo era da criança, claro!) e empurrar um carrinho passeando pela Lagoa? Tranquilão? Espero estar viva um dia para ver isso... rssss Ele com aquele mau-humor que lhe é peculiar curtindo o passeio na Lagoa com o filho... Quero muito ver isso! Agora, ao som de Nando Reis escuto "Estranho é gostar tanto do seu all star azul. Estranho é pensar que o bairro das laranjeiras. Satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador." Aí faço uma musiquinha minha: " Estranho é gostar tanto do meu all star vermelho. Estranho é pensar que o bairro da Lagoa. A Lagoa sorri quando chego ali..." lalalá... Me arrepio... Um arrepio de felicidade... Ô lugar bonito, gente! Já fiz a curva perto do corte Cantagalo e olho para o meu querido Cristo de braços abertos... Mas ele não está lá. Droga! Tá nublado naquele pedaço.
Quase chegando ao final da corrida (40min), afinal fazem três meses que não corria e tinha que pegar leve nessa, vejo um casal de velhinhos de mãos dadas. Poxa, penso, quero ficar velhinha assim de mãos dadas com o meu velhinho... caminhando pela minha Lagoa querida. Cansada, páro na reta antes do Caiçaras e tomo uma água de coco.
Por fim, vou andando encontrar o meu amor que estava me esperando... Aí, passei por uma senhorinha de chapéu com a aba dobradinha na frente. Pensei de novo: quero ficar assim um dia! Pensando bem, não estou nem tão sozinha assim, né?
































