sábado, 5 de setembro de 2009

pai

Durante um tempo eu fiquei muito distante do meu pai. Meu pai na época da minha infância viajava muito. Ele era da marinha. Ou melhor, ele é da marinha. (Esse pessoal militar não gosta de dizer que se aposentou. Eles dizem que quando se aposentam é por invalidez. Quando completam o tempo de serviço, eles vão para reserva. O que significa que vão ser sempre da marinha. Um dia até perguntei para o meu pai, o porquê disso. Ele disse que quando é da reserva, pode ser chamado a qualquer tempo. Enfim, vai entender!) Como a gente morava na serra, óbvio, ele tinha que ficar em lugares que tinham mar. Entende? Pois é. Então, ele serviu durante muito tempo aqui no Rio. Eu via muito meu pai nos fins de semana. Depois quando virei adulta, logo, logo nos distanciamos novamente. Primeiro, porque eu queria fazer faculdade e na minha cidade na época não tinha a que eu queria fazer. Depois, porque eu queria muito morar sozinha. Então, nos afastamos novamente. Mas ainda nessa época nos víamos todos os fins de semana. Até que um dia eu casei. Cresci, virei adulta, mudei e casei. Coisas que nos afastaram. Até que consegui entender que apesar da distância e o meu amadurecimento ele sempre será o meu pai. Cada um no seu lugar. Eu preciso dele como meu pai. Senti que o meu pai é meu pai. E eu não sou pai dele. Eu preciso dele. Hoje pesquisando umas coisas na internet, lembrei que ele gosta muito de caravelas. Então, taí uma caravela pro meu pai! Duas coisas durante a minha vida que eu prometi dar a ele: um cruzeiro e uma caravela. Um dia consigo!

reunião




Essa semana eu conheci pessoalmente Dumbledore, Saruman e Gandalf! Juro! Eu participei de uma reunião com magos. Vocês não acreditam? Eu juro! rssss

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

hoje foi dia de balanço

No balanço da vida descobri que muita coisa foi somada. Tudo bem, eu sei, eu sei. Esse meu lado otimista às vezes não me deixa lembrar das tristezas. Eu perdi também. Eu diminui também, mas aquilo que diminui não deixou saldo negativo. Eu multipliquei pessoas a minha volta me dando força. Eu dividi tarefas e responsabilidades. Puxa, como dividi! Acho que, inclusive, isso foi o essencial para a soma final. Posso dizer até, que essa divisão de responsabilidades me acrescentou, somou bastante! Ou melhor, me multiplicou frutos. Frutos esses que vou levar para minha vida toda. Somei segurança e paz interior. No final a soma significou felicidade.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

meu gosto

Quando crescer quero ser chique assim!

me tiraram da tomada

"Cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
— Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço, Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

língua de Gopal

Têm pessoas que acham que sabem falar a língua de Gopal... "Gopal está pensando em como acabar com esse macarrão rapidamenteeeeee", "Você não ênntennndeee, Gopal sabe tudo. Ticrrrrreeeee", "Na Índia nós não gostamos de atropelar o temmmpo". Meu Deus! Meu marido acha que sabe falar essa língua... rssss O pior que não é só ele. No outro dia estava passando na rua e ouvi uns taxistas (aqueles mesmos taxistas do outro dia, sabe?) falando na língua de Gopal. O pior que nem Gopal sabe falar na língua dele mesmo...rssss Muito bom!

domingo, 30 de agosto de 2009

eu sozinha pela Lagoa

Comecei no marco de 1200 km perto do Parque dos Patins com a trilha sonora de Walk on de U2. Toda corrida me deixa leve, tão feliz, que não tenho nem palavras para descrever direito o meu sentimento naquele momento. Sabe aquela propaganda antiga da Nike que uma mulher ia correndo e iam caindo as coisas dela, conforme ela ia correndo? Pois é, me sinto mais ou menos assim... Só sei que quando chegou em frente mais ou menos da Igreja Nossa Senhora Margarida Maria (acho que é esse o nome) vi um cisne sozinho (Detalhe: não foi um cisne que eu vi. Foi uma garça. Puts, não sei a diferença...rsss). Então, pensei... Parece comigo nesse momento. Feliz e quietinho curtindo o "visu" da Lagoa.


Continuei correndo e eis que de repente, mais que de repente, vejo uma mulher abraçando uma árvore. Que coisa estranha, pensei. De repente ela largou a árvore, mandou beijos, tchau e continuou sua caminhada. Juro que num primeiro momento dei uma risadinha e a achei meio maluca. Olhei para o lado para ver se mais alguém tinha visto aquela cena. Fiquei com um pouco de vergonha dela. E também não era para menos, mandar beijos para um árvore? Mas a mulher não estava nem aí. A mulher era magrinha, com uma calça saruel preta e com um estilo - sou hippie. E fiquei pensando sobre aquele momento... Falei pra mim mesma. Po, deve ser a religião dela, ou deve ter alguém enterrado ali naquela árvore e a mulher estava falando com a pessoa. Bom, sei lá. Ri porque era engraçado alguém mandar beijos para uma árvore, mas ao mesmo tempo achei legal, porque a total falta de preocupação (desapego) com as pessoas me alertou que ela estava feliz, não importa a maneira pela qual. Daí, parei na próxima árvore e bati uma foto. Essa árvore é super-antiga! Também gosto de árvores. Gosto dessa árvore milenar com vários galhos baixos.

Continuando a minha corridinha, agora com os batimentos cardíacos a 151 por minuto fui ouvindo as músicas e curtindo o visual. Agora passou por mim um pai com um bebê no carrinho. Pensei: será que o Mauro vai fazer isso na vida? Colocar essa mochilinha azul pequenina nas costas (porque aquilo era da criança, claro!) e empurrar um carrinho passeando pela Lagoa? Tranquilão? Espero estar viva um dia para ver isso... rssss Ele com aquele mau-humor que lhe é peculiar curtindo o passeio na Lagoa com o filho... Quero muito ver isso! Agora, ao som de Nando Reis escuto "Estranho é gostar tanto do seu all star azul. Estranho é pensar que o bairro das laranjeiras. Satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador." Aí faço uma musiquinha minha: " Estranho é gostar tanto do meu all star vermelho. Estranho é pensar que o bairro da Lagoa. A Lagoa sorri quando chego ali..." lalalá... Me arrepio... Um arrepio de felicidade... Ô lugar bonito, gente! Já fiz a curva perto do corte Cantagalo e olho para o meu querido Cristo de braços abertos... Mas ele não está lá. Droga! Tá nublado naquele pedaço.
Quase chegando ao final da corrida (40min), afinal fazem três meses que não corria e tinha que pegar leve nessa, vejo um casal de velhinhos de mãos dadas. Poxa, penso, quero ficar velhinha assim de mãos dadas com o meu velhinho... caminhando pela minha Lagoa querida. Cansada, páro na reta antes do Caiçaras e tomo uma água de coco.


Por fim, vou andando encontrar o meu amor que estava me esperando... Aí, passei por uma senhorinha de chapéu com a aba dobradinha na frente. Pensei de novo: quero ficar assim um dia! Pensando bem, não estou nem tão sozinha assim, né?